Nasci delicada, frágil,
mimosa e valente. Sem perceber, fui me encontrando num mundo alvoroçado que era
muito pequeno para acolher toda a minha sensibilidade. A sensibilidade, em mim,
é uma cicatriz interna, mesmo que eu queira nunca me desgarrarei dela. Eu gosto
de sentir, tocar, apreciar, compreender. Gosto do que não entendo também. E
gosto mesmo. Como um desafio obrigatório a se cumprir. Ninguém vai longe sem
essa vontade de sentir a tudo, em meio a tantos cheiros, a tantos gostos, tanta
vontade, tantos rastros...
Tudo o que obviamente é novidade me desperta um
interesse absurdo. E eu corro. Me empenho na busca de novas descobertas, antes
que me perca do que me espera. As pessoas me mandam ter paciência, mas o medo
sempre me deixa inquieta, sabe? Coisas bobas me causam espanto e podem ter um
efeito angustiante no meu interior. Por enquanto, só conheço esse lado meu: o
lado bobo, indefeso, pequeno. Nos meus pensamentos, fico desenhando momentos
que desejo viver e, mesmo que não viva, terei a satisfação como recompensa pelo
prazer de ter sonhado.
Ultimamente tenho encarado a vida de maneira
diferente, sabendo que algo me espera. Alguém, na verdade. Quero repousar a
cabeça em seu ombro, quero sussurrar palavras fofas em seu ouvido, quero
inventar que estou com frio para sentir que terei alguém ali para me abraçar e
dizer que estou protegida, quero alguém para me fazer gastar todos os meus
papeis de carta e derramar neles tudo o que sinto. Quero também o seu cheiro em
minha pele, o seu cabelo em meu travesseiro, as suas mãos em meu corpo e a sua
boca na minha.
Maiádila Alice Melo *-*
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Thanks pelo seu devaneio!!! Bjks!!!